Hora Brasileira

Abuso racial contra o astro do Real Madrid, Vinicius Junior, é negligenciado

Publicidade

Abuso racial contra o astro do Real Madrid, Vinicius Junior, é negligenciado

Quando se espera que proibições de estádios e multas façam justiça aos infratores, insultos racistas contra o renomado jogador de futebol brasileiro passam por “vaias”. Por mais de um ano, o astro do futebol brasileiro Vinicius Junior foi alvo de crimes de ódio, mas pouco está sendo feito para impedir o abuso
Vinícius José Paixão de Oliveira Júnior

Comemorado por muitos como um dos melhores jogadores de futebol do mundo, o atacante de 22 anos do Real Madrid suportou cantos chamando-o de “macaco” durante um jogo contra o Mallorca em Son Moix em 5 de fevereiro.

Essa não foi a primeira vez. Vini Jr. foi submetido a calúnias raciais outra vez em Mallorca, bem como durante vários clássicos em Osasuna, Real Valladolid e Atlético de Madrid.

No final de janeiro, uma efígie do jogador foi pendurada em uma ponte perto do campo de treinamento de seu clube em Madri, ao lado de uma faixa que dizia “Madrid odeia o Real”, antes de um jogo contra o Atlético.

O Real Madrid e a LaLiga – a principal liga de futebol da Espanha – condenaram o odioso incidente na ponte. A LaLiga também condenou o ataque racista em Mallorca no mês passado, dizendo que levaria o assunto ao tribunal, mas a divisão atraiu desdém por não ter tomado medidas efetivas.

A liga alega que não tem autoridade para impor sanções e se contenta com condenações e ações judiciais contra os infratores, mas o sistema jurídico tem se mostrado relutante e ineficaz.

Em 18 de setembro de 2022, depois que os torcedores do Atlético gritaram “Vinicius, você é um macaco” antes e durante uma partida do Real, a LaLiga disse que a promotoria local de Madri se recusou a indiciar os infratores, justificando a decisão com a alegação de que os gritos eram normais dentro do contexto de “rivalidade acirrada” entre os clubes de futebol, o que gerou também outros cânticos desrespeitosos.

Essa mentalidade parece refletir uma atitude geral na Espanha que legitima o abuso racista, colocando-o no contexto de “vaias” – embora de uma maneira particularmente rude, escreve o autor do Guardian, Jonathan Liew.

Punível por lei

Até agora, nem a autoridade do futebol espanhol, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), nem os promotores locais, apresentaram acusações contra os infratores.

De acordo com o Código Penal espanhol, atos racistas que ofendem a dignidade são considerados crimes de ódio puníveis por lei e punidos com pena de prisão de seis meses a dois anos.

Isso significa que o judiciário e as forças de segurança da Espanha devem assumir a responsabilidade de levar os infratores à justiça, enquanto os órgãos esportivos podem recorrer a um código disciplinar que permita a aplicação de possíveis sanções.

A LaLiga diz que até agora encaminhou 12 casos de “abuso racista a jogadores de futebol negros desde janeiro de 2020”, 11 deles direcionados a Vinicius e um contra Nico Williams, do Athletic Bilbao, às autoridades locais, segundo o jornalista esportivo da CNN Matias Grez.

Quatro desses casos, incluindo o referente a Williams, foram arquivados sem ação legal.

Além de permitir que os crimes de ódio passem por “vaias”, os promotores têm negligenciado os casos, dizendo que o abuso durou apenas alguns segundos ou porque os infratores não puderam ser identificados.

O promotor de Mallorca, que arquivou um caso de 14 de março que tinha como alvo Vini Jr., referiu-se a esta última causa para sua decisão, acrescentando que tais incidentes “nem sempre acarretam inevitavelmente uma resposta criminal”, citou a CNN.

Enquanto isso, um torcedor do Mallorca que foi identificado por participar do insulto racista contra Vini Jr. no mês passado enfrenta uma multa de aproximadamente US$ 4.200 (4.000 euros) e uma proibição de estádio de um ano proposta pelo Conselho Supremo de Esportes da Espanha. O processo legal continua, então a sentença ainda não foi imposta.

Por direito próprio, a LaLiga declarou que distribui manuais para evitar incidentes frequentes de jogadores sendo abusados racialmente por torcedores durante os jogos e para promover uma atmosfera positiva e inclusiva nos estádios de futebol.

Um “Manual do Torcedor” entregue aos torcedores antes de cada temporada enfatiza os valores do futebol e descreve o comportamento que deve ser demonstrado nos estádios. Os jogadores também recebem um que os incentiva a denunciar comportamentos violentos ou racistas e a serem respeitosos.

No entanto, os manuais mostraram-se insuficientes dada a continuidade do abuso racial nos clássicos, destacando a necessidade de novas ações.

Leia também

Publicidade

Compartilhe

Publicidade

Bem Vindo ao HoraBrasileira

Nosso blog se destaca pela ampla variedade de conteúdos, incluindo política, economia, cultura, entre outros, com contribuições de colaboradores globais. Oferecemos nosso conteúdo em vários idiomas, essencial tanto para brasileiros no exterior quanto para estrangeiros.

Nossa missão é fornecer informações precisas, confiáveis e imparciais, com uma abordagem equilibrada, apesar de nossa orientação política progressista.

Comprometidos em manter a comunidade brasileira no exterior bem informada, garantimos acesso a notícias atualizadas e equilibradas sobre o Brasil e o mundo em diversas plataformas e idiomas.

Se você tem paixão por escrever e algo a dizer, queremos ouvir!

Pular para o conteúdo