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Mania de dança brasileira criada por jovens nas favelas do Rio é declarada patrimônio cultural

Mania de dança brasileira criada por jovens nas favelas do Rio é declarada patrimônio cultural

Passinho, dança criada por jovens das favelas do Rio, é reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo estado, valorizando uma expressão cultural rica e diversa.
Iluminados por um farol de motocicleta, jovens realizam uma dança de rua conhecida como passinho - AP Photo-Silvia Izquierdo, Arquivo
Iluminados por um farol de motocicleta, jovens realizam uma dança de rua conhecida como passinho - AP Photo-Silvia Izquierdo, Arquivo

Tudo começou com movimentos ágeis das pernas, passos fortes para trás e para frente, ao ritmo do funk brasileiro. Em seguida, a dança incorporou elementos do break dance, samba, capoeira e frevo.

Reconhecimento Cultural

O passinho, estilo de dança criado nos anos 2000 por jovens nas favelas do Rio de Janeiro, foi declarado em março como “patrimônio cultural imaterial” pelos legisladores do estado, reconhecendo uma expressão cultural nascida em bairros populares.

Início e Difusão

Os criadores do passinho eram jovens com muita flexibilidade. Eles começaram a experimentar novos movimentos em casa e a mostrá-los nas festas de funk das suas comunidades, compartilhando-os na internet. Nos primeiros dias das redes sociais, jovens carregavam vídeos no Orkut e YouTube, espalhando o estilo por outras favelas.

Competição e Inovação:

Uma cena competitiva surgiu, e os jovens copiavam e aprendiam com os melhores dançarinos, levando-os a inovar ainda mais. “Passinho na minha vida é a base de tudo que eu tenho”, disse o dançarino e coreógrafo Walcir de Oliveira, de 23 anos.

Eventos e Expansão:

O produtor brasileiro Julio Ludemir ajudou a descobrir talentos organizando “batalhas de passinho” no início dos anos 2010. O festival “Out of Doors” no Lincoln Center de Nova York realizou um duelo em 2014, apresentando os passos vigorosos ao público americano.

Impacto Cultural:

Ludemir descreve o estilo como uma expressão de “antropofagia” brasileira, conceito modernista de canibalizar elementos de outras culturas para produzir algo novo. “Passinho é uma dança que absorve referências de todas as danças”, disse ele.

Alternativa para a Juventude:

A dança tornou-se um meio para jovens circularem entre comunidades controladas por gangues rivais. Ofereceu uma alternativa à criminalidade e ao sonho comum de se tornar jogador de futebol.

Reconhecimento Legal:

O passinho foi declarado patrimônio estadual pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, por uma lei proposta pela legisladora Veronica Lima, sancionada em 7 de março. Lima destacou a importância de “descriminalizar o funk e as expressões artísticas dos jovens” das favelas.

Inspiração para Jovens:

O reconhecimento consolidará a primeira geração de dançarinos de passinho como inspiração para jovens das favelas. Entre eles está Pablo Henrique Gonçalves, conhecido como Pablinho Fantástico, que criou o grupo OZCrias, formado por quatro dançarinos da Rocinha.

Inclusão e Educação:

Outro grupo de dança, Passinho Carioca, está no Complexo da Penha. Nayara Costa, uma das diretoras, contou que veio de uma família envolvida no tráfico de drogas, mas o passinho a salvou desse destino. Hoje, ela ensina passinho para pessoas de todas as idades.

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