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Motoboys que usam aplicativos trabalham mais e ganham menos, aponta IBGE

Motoboys que usam aplicativos trabalham mais e ganham menos, aponta IBGE

Motoboys que usam aplicativos ganham menos, revela estudo do IBGE. Conheça as desigualdades enfrentadas por esses trabalhadores no Brasil
Uma pessoa em uma moto amarela e preta com uma bolsa azul de entrega nas costas. A pessoa está usando um capacete branco e uma jaqueta azul. O fundo é uma rua borrada com carros e prédios. A foto foi tirada à noite, com a lua visível no fundo.
Motoboys de Apps: Menos Rendimento, Jornadas Mais Longas - IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente um estudo revelando que os motoboys que atuam por meio de aplicativos de entrega trabalham, em média, cinco horas a mais por semana em comparação aos demais trabalhadores dessa categoria. No entanto, o salário desses entregadores de aplicativos não condiz com a jornada mais extensa, resultando em uma média de R$ 426 a menos por mês em relação aos que não dependem de plataformas digitais para trabalhar.

Esses dados, coletados no 4º trimestre de 2022, lançam luz sobre a realidade desses profissionais que desempenham um papel fundamental na economia do Brasil.

Rendimento médio por hora é inferior

Um ponto destacado pelo estudo é que, embora os motoboys que usam aplicativos ganhem um rendimento habitual médio de R$ 1.784, essa quantia representa apenas 80,7% daquela recebida pelos que não utilizam plataformas digitais, cuja média é de R$ 2.210. E quando analisamos o rendimento por hora, a diferença se torna ainda mais evidente, com R$ 8,70 contra R$ 11,90, mostrando que o esforço extra não se traduz em ganhos maiores por hora trabalhada.

Comparação com motoristas de aplicativos

O estudo também revelou que os motoboys ganham menos do que os motoristas de automóveis que trabalham com o transporte de passageiros. Embora esses motoristas tenham um salário ligeiramente maior no final do mês, sua jornada de trabalho é sete horas mais longa por semana. Portanto, quando comparamos o rendimento médio desses profissionais por hora de serviço, R$ 11,80, ele também é inferior ao dos demais profissionais da categoria, que é de R$ 13,60.

A realidade dos trabalhadores “Plataformizados”

Os motoboys e motoristas que trabalham com transporte de passageiros compõem a maior parte da população “plataformizada” no Brasil. No país, 338 mil motociclistas têm atividades de malote e entrega como trabalho principal, e 50,8% deles, ou seja, 171 mil, realizam esses serviços por meio de aplicativos. No caso dos motoristas profissionais em atividade de transporte de passageiros, o grupo soma 1,2 milhão, com 60,5% (721 mil) trabalhando por meio de plataformas digitais.

Panorama geral

No 4º trimestre de 2022, quando os dados da pesquisa do IBGE foram coletados, o Brasil tinha 1,5 milhão de trabalhadores atuando por meio de aplicativos de serviço, o que representa 1,7% da população ocupada no setor privado. Além de entregadores e motoristas, o estudo incluiu outros profissionais que utilizam aplicativos para prestar seus serviços, abrangendo desde eletricistas e faxineiros até funções mais específicas, como serviços de TI, tradução e design.

Diferenças de gênero e idade

A pesquisa do IBGE também revelou que a maioria dos trabalhadores “plataformizados” são homens, com idades médias entre 25 e 39 anos e níveis intermediários de escolaridade. No geral, esses trabalhadores têm um rendimento mensal maior, R$ 2.645, em comparação à média salarial das pessoas que não utilizam plataformas, que é de R$ 2.510. No entanto, esses profissionais têm jornadas semanais mais extensas, uma média de 46 horas, enquanto os demais trabalhadores brasileiros costumam trabalhar 39,5 horas por semana.

Metodologia do estudo

O levantamento do IBGE foi realizado em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Foram coletados dados do 4º trimestre de 2022, considerando a população ocupada com 14 anos ou mais de idade, excluindo empregados no setor público e militares. O estudo tem um caráter experimental e anual, estando sob avaliação contínua devido a questões de cobertura e metodologia.

Embora a economia de aplicativos tenha proporcionado oportunidades de emprego, esse estudo do IBGE destaca as desigualdades e desafios enfrentados pelos trabalhadores “plataformizados” no Brasil, especialmente motoboys e motoristas que, apesar das longas jornadas, não estão vendo uma compensação adequada por seu trabalho. Essa pesquisa lança luz sobre a necessidade de abordar as condições de trabalho e os direitos dos profissionais que atuam nesse setor em crescimento.

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