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Semelhanças entre Trumpismo e Bolsonarismo

Semelhanças entre Trumpismo e Bolsonarismo

Analisando a recente trajetória política dos Estados Unidos e do Brasil, é possível identificar semelhanças e diferenças entre os fenômenos do 'Trumpismo' e do 'Bolsonarismo'. O que mais preocupa são certas semelhanças que não parecem mera coincidência.
Bolsonaro repete métodos de Donald Trump em sua campanha
Bolsonaro repete métodos de Donald Trump em sua campanha

Exploração de Vulnerabilidades Sociais e Econômicas:

Nos dois casos, políticos de extrema direita têm explorado oportunisticamente, para fins eleitorais, expectativas frustradas de milhões de pessoas em situações crescentes de vulnerabilidade social e econômica. Nos EUA, o ‘sonho americano’ tem se tornado cada vez mais distante para a maioria da população, num contexto de efeitos perversos de um capitalismo cada vez mais globalizado, associado a políticas neoliberais promovidas tanto por governos democratas como republicanos.

O Impacto das Políticas Neoliberais:

Durante a administração de Barack Obama, houve avanços significativos, como a implementação do Affordable Care Act (Obamacare), que expandiu o acesso à saúde para milhões de americanos. No entanto, a campanha de Hillary Clinton sofreu com a herança de políticas neoliberais como a NAFTA, lançada no governo de seu marido, Bill Clinton. Essas políticas acirraram desigualdades sociais e econômicas, e Hillary foi criticada por dar pouca atenção ao eleitorado em lugares como Michigan, que sofreu com os efeitos da desindustrialização.

Nostalgia por um Passado Idealizado:

Uma tática comum entre o Trumpismo e o Bolsonarismo é a pregação da nostalgia por um passado idealizado que o candidato ‘herói’ promete trazer milagrosamente de volta. A campanha de Trump adotou como lema ‘Make America Great Again’, enquanto Bolsonaro revela uma nostalgia pelos anos de chumbo, que marcaram a ditadura militar no Brasil.

Incentivo ao Medo, à Raiva e ao Ódio:

Um pilar das estratégias do Trumpismo e do Bolsonarismo tem sido o incentivo ao medo, à raiva e ao ódio, com apologias à violência, escolhendo indivíduos e grupos minoritários para serem transformados em inimigos e culpados por todo mal que aflige a sociedade. Para o Trumpismo, os alvos prediletos têm incluído, entre outros, populações de novos migrantes, negros e adversários do Partido Democrata. Para o Bolsonarismo, a extensa lista de inimigos da nação inclui, além de petistas e supostos ‘comunistas’, os povos indígenas, quilombolas, movimento LGBT, ambientalistas, movimentos sociais como o MST, defensores dos direitos humanos e ‘ativistas’ em geral.

Antagonismo à Imprensa Independente:

Outra semelhança marcante entre o Trumpismo e Bolsonarismo é o antagonismo dirigido a veículos da grande imprensa que assumem posturas independentes, como o CNN, New York Times e Folha de São Paulo. Acusações raivosas de ‘fake news’ aparecem quando notícias são veiculadas que revelam verdades inconvenientes, contrariando interesses político-eleitorais. Enquanto isso, informações distorcidas e falsas, apelando para o medo, o preconceito e a raiva contra adversários são disseminadas em massa via as mídias sociais.

Violência e Ameaças:

Um resultado direto dos ataques à imprensa e da incitação ao ódio contra ‘inimigos’ é a escalada da violência que rapidamente foge do controle, conforme demonstrado pela violência na marcha de neo-nazistas em Charlottesville (Virginia) , e pelo envio por um terrorista doméstico de uma série de cartas bomba a inimigos prediletos do Trump: CNN, as famílias Clinton e Obama, o ex-presidente Joe Biden, a deputada federal democrata Maxine Waters, o ator Robert DeNiro e o bilionário investidor e filantropista George Soros, entre outros.

Cortejo de Igrejas Evangélicas Conservadoras:

Outra semelhança entre os dois é o cortejo de igrejas evangélicas conservadoras com discursos moralistas sobre temas como a proibição do aborto e do casamento gay, enquanto se acena com vantagens econômicas para as igrejas e seus líderes (quase sempre homens brancos).

Interesses Econômicos e Vínculos:

Muitas das táticas adotadas pelo Trumpismo e Bolsonarismo – que parecem inspiradas no ‘playbook’ de Joseph Goebbels, ministro de propaganda dos nazistas entre 1933 e 1945 – ficam mais compreensíveis quando são considerados os interesses econômicos com os quais se mantém fortes vínculos. No caso do Trump, destaca-se a influência das industrias do petróleo e do carvão. No caso do Bolsonario, fica evidente a forte influência da bancada ruralista. Nos dois casos, trata-se de interesses imediatistas de grupos poderosos, pautados na apropriação privada de territórios, tipicamente bens públicos, para fins de exploração se seus recursos naturais, desconsiderando danos socioambientais que recaem sobre as populações locais e a sociedade em geral.

Conclusão – Ameaças à Democracia e a Necessidade de Resistência:

Quando Trump conseguiu levar a eleição presidencial dos EUA em 2016, muitos questionaram até que ponto a retórica de extrema direita da campanha seria colocada em prática. Alguns apostaram que uma vez empossado, Trump poderia adotar uma espécie de pragmatismo moderado.

O que tem acontecido ao longo dos últimos dois anos, é exatamente o contrário. Verifica-se, na prática, um ataque generalizado e sistemático do Trumpismo às instituições democráticas, inclusive programas sociais de seguridade social, saúde e educação pública.

Felizmente, existem importantes exemplos de resistência de instituições democráticas, da ação da cidadania (com forte protagonismo das mulheres) e de governos estaduais e municipais nos EUA. No entanto, persiste uma sensação de fragilidade da democracia, que precisa de vigilância a toda hora.

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